A SOBERANIA DE DEUS E AS ESCOLHAS HUMANAS


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“Todo aquele que o Pai me der virá a mim,
e quem vier a mim eu jamais rejeitarei.”
(Mateus 6.37)

Este é um dos textos com frequência utilizados para dar base a doutrina da predestinação. Para quem defende tal ideia, uma prova contundente de que Deus escolhe quem deve ser salvo. Todavia, não podemos reduzir tal declaração de Jesus à apenas esta interpretação.

Para os defensores da doutrina da eleição ou predestinação, a base interpretativa está na soberania de Deus, que lhe atribui o direito de decidir quem ele deseja salvar e quem será condenado. Ou seja, a salvação do homem não depende de seu desejo de seguir a Deus – algo impensável para os defensores da doutrina –, mas da vontade de Deus.

Não negamos o completo estado de depravação – inclinação constante para o mal – no qual se encontra a humanidade, estando mergulhada em densas trevas. Mas, postulamos que a soberania de Deus também se evidencia pela soberania de sua luz sobre estas trevas. Sua luz, no passado, brilhou por meio da nação de Israel, como portadora da Lei e do testemunho de Deus a todos os povos. No presente, ela brilha através de Jesus Cristo – “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8.12).

De fato, quando dizemos que Deus é soberano, afirmamos que Ele é absoluto em virtudes e capacidades e, consequentemente, pode dominar qualquer coisa ou circunstância, inclusive sua própria vontade. Tudo depende de sua permissão. Vemos na história de Jó 1.6-12 que nem mesmo Satanás pode agir sem o consentimento de Deus. Assim, não negamos a sua soberania, pelo contrário, creditamos a Deus a faculdade de determinar o que é permitido.

Há evidências de que, apesar de sua total depravação, Deus não permite que o homem seja incapaz de ver a sua luz. Como disse o apóstolo Paulo: “pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Romanos 1:19-20).

Nisto se manifesta a justiça de Deus, pelo fato de não usar sua soberania para escolher aleatoriamente quem dever ser salvo, mas, sim, para conter o poder das trevas.

“Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más.” (João 3.16). Neste verso fica claro a concessão de oportunidade ao homem para sair das trevas – “a luz veio ao mundo” –, mas a escolha do homem em permanecer nas trevas o transformará em réu de juízo.

Note que Deus não perde sua soberania em, no exercício de sua própria autoridade, permitir ao homem fazer suas próprias escolhas. Pois, como tudo depende de Deus, inclusive a vida e a existência, ele é quem determina os padrões. Significa que, mesmo tendo recebido liberdade para decidir o que fará de sua vida, o homem não tem liberdade para definir o que é bom e o que é mau. Isto compete a Deus, que é soberano (Isaías 45.7). Além disso, nossa dependência vital de Deus, quer queiramos ou não, nos levarão a uma prestação de contas (Eclesiastes 11.9), com base na nossa livre escolha de acatar ou não os padrões divinos.

Noutro caso, a história demonstrar que, para realização de seus propósitos, Deus escolhe alguns. Porém, não podemos concluir que isto seja base suficiente para dizer que Deus eleja alguns para salvação em detrimento da condenação de outros, simplesmente porque é soberano.

Dentre os vários atributos de Deus, a Bíblia ressalta que Ele é amor (1 João 4.7,8) e que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10.34; Romanos 2.11; Colossenses 3.25), mas conclama "a todos, em todo lugar, que se arrependam" (Atos 17.30) e se voltem para Ele.

A Bíblia também menciona que Deus é onisciente, sabedor de todas as coisas, inclusive do que se passa em nossos pensamentos (Salmo 139), conhecendo o nosso coração – “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1 Samuel 16:7).

Na Parábola do Semeador (Lucas 8.5-15), Jesus comprara o coração humano a terrenos onde são lançadas sementes. Uns frutificam, outros não, mas fica evidente que a semente, que é a Palavra de Deus, é lançada em todos eles.

Pedro afirmou que nossa eleição é segundo o pré-conhecimento de Deus (1 Pedro 1.2), e não segundo a pré-determinação ou pré-destinação.

Como exemplo, a Bíblia relata a história de um centurião romano chamado Cornélio (Atos 10). Antes mesmo de se converter, Cornélio almejava a presença Deus. Por isso, Deus enviou Pedro para que Cornélio pudesse receber a mensagem da salvação. Fato curioso é que os romanos não estavam na “lista apostólica de pessoas a serem evangelizadas”, uma vez que os gentios não eram vistos como merecedores da graça da salvação pelos judeus. Deus precisou quebrar os paradigmas de Pedro para que ele fosse até Cornélio.

Portanto, o que concluímos da declaração de Jesus: “Todo aquele que o Pai me der virá a mim”, é que o Pai traz aqueles que possuem um coração acessível, capaz de se quebrantar diante de sua Luz; um coração frutífero, onde a semente da Palavra de Deus germina com facilidade.

Deus é soberano, não um tirano. Ele exerce sua soberania em amor, concedendo-nos liberdade para amá-lo ou rejeitá-lo.

Por Jadison Matta
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